quinta-feira, 10 de abril de 2014

I Seminário Estadual de Gestão Estratégica e Participativa do RJ acontecerá no dia 27 de maio- anote em sua agenda!

No dia 27 de maio acontecerá no Rio de Janeiro o I Seminário Estadual de Gestão Estratégica e Participativa. Este encontro consolidará o trabalho da Gestão Participativa junto aos seus componentes (Ouvidoria, Auditoria, Conselho Estadual de Saúde e Populações em Situação de Vulnerabilidade) realizado ao longo do ano de 2013 junto aos municípios através dos Encontros Regionais de Gestão Participativa e Oficinas de Planejamento Regional.

O Seminário foi planejado para receber 350 profissionais de saúde dos municípios que atuem diretamente com ações referentes aos componentes da Gestão Participativa. O evento oportuniza a apresentação de experiências inovadoras em saúde nos eixos CONTROLE SOCIAL, POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A PROMOÇÃO DA EQUIDADE (Saúde da população negra, LGBT, Assentados, acampados, quilombolas, pescadores, indígenas, população rural, morador em situação de rua e privados de liberdade), TECNOLOGIAS DE CONTROLE INTERNO (AUDITORIA) E PARTICIPAÇÃO CIDADÃ (OUVIDORIA).

O prazo para o envio dessas experiências termina no dia 18 de abril. INSCREVA-SE!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Semana Nacional de Humanização

 
Ontem, dia 07 de abril teve inicio as diversas atividades da Programação da Secretaria de Estado de Saúde para a Semana Nacional de Humanização. Com uma vasta programação de atividades vale a nossa presença e apoio. Os encontros são voltados para o público em geral, gestores e áreas da SES. A mesa de abertura contou, dentre outros, com a presença do Secretário de Estado de Saúde Marcos Musafir. As atividades se estendem até 11 de abril, veja a programação abaixo.

Clique sobre a imagem para visualizar a programação

Oficina com UPAS mantém excelente nível de participação


A 2ª Oficina de sensibilização para o preenchimento do quesito raça/cor aconteceu no dia 03 de abril e teve um excelente nível de participação dos profissionais das UPAS. O encontro registrou a presença de Coordenadores Médicos, Coordenadores Administrativos e de Enfermagem, além de Assistentes Sociais e Profissionais do Registro. Na ocasião, os profissionais tiveram a oportunidade de conhecer a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra assim como as Responsabilidades das três esferas de gestão que constam nessa política. Ao final do encontro os profissionais se organizaram em grupos e discutiram como as reflexões que lhes foram apresentadas chegarão aos demais profissionais das unidades para que o quesito raça/cor seja implantado com qualidade no registro.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Oficina de Sensibilização para o preenchimento do quesito raça/cor nas UPAS registra a presença de 30 profissionais de saúde


Aconteceu no dia 26 de março a 1ª Oficina de Sensibilização e Capacitação para o preenchimento do quesito raça/cor nas UPAS Estaduais. Estiveram presentes profissionais da OSS Viva Comunidade e Lagos Rio que gerenciam algumas UPAS Estaduais. O Encontro é o primeiro dos 5 agendados para ocorrer até o mês de maio deste ano. A proposta é “Aprimorar a qualidade dos sistemas de informação em saúde, por meio da inclusão do quesito cor em todos os instrumentos de coleta de dados adotados pelos serviços públicos e melhorar a qualidade dos sistemas de informação do SUS no que tange à coleta, processamento e análise dos dados desagregados por raça, cor e etnia”, conforme preconiza a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. No ensejo, cada OSS elaborou um Plano de Trabalho para discutir a temática e multiplicar a todos os profissionais das UPAS as informações de como e por que perguntar a raça/cor dos usuários do SUS.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Roda de Conversa Mulheres Trans

No dia 20 de março às 15h o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM) realizará a “Roda de Conversa Mulheres Trans” para abordar a questão de gênero. O espaço é aberto para os interessados na temática e não necessita de inscrição prévia.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Homenagem às Mulheres

Dia 8 de março celebra-se em todo o mundo o Dia Internacional da Mulher, de acordo com determinação da Organização das Nações Unidas, desde 1977. É uma data apenas, mas que demarca uma valorização que deve acontecer em todos os dias na criação de condições de vida digna e respeito para mulheres de todas idades. Fica a nossa homenagem na reprodução de um texto da poeta e atriz Eliza Lucinda. Boa leitura!
 


Elisa Lucinda *

Agora dei pra isso: volta e meia me ocorre um pensamento profundo, uma noção nova por dentro das coisas e eu lembro logo: tenho quarenta anos. Ando pensando nisso todo o tempo, como quem se acostuma, como quem se relaciona com a contagem e com as mudanças. Quarenta anos! Minhas pernas bonitas vigorosas. Um leve amarrotado na pele dos joelhos, mas a rótula nunca fora mesmo um lugar de beleza explícita e não me lembro dela aos vinte anos.

Quando se tem vinte anos, os joelhos nem sequer existem. O vigor dos passos não nos deixa vê-los. Existem sim coxas. E coxas mais que pés e canelas. Agora não, quarenta anos, embora não me tenham surpreendido, trazem uma mostra do tempo fixado nas rugas dos joelhos e dos caminhos. Tenho gostado do tempo que gastei. Tenho andado com orgulho dele. Como se dissesse pra mim a cada frase, a cada pé de ato: "agora sei". Como se não tivesse dito isso aos vinte anos, aos trezes, aos dezesseis. 

Das sabedorias confirmo algumas: a minha menina não largo. Nunca larguei. Jamais a largarei. é ela quem me faz correr, saltar, pular, brincar nas circunstâncias, cheia de esperança sempre. Ela ri das coisas mais simples e chora quando dói. Moleca, leva-me nova e sem objetivos cosméticos, mas dá resultado isso. 

Carrega também a mulher em quem sonhava ser desde pequena. Era grávida dela, daquela que engravidaria, teria filhos, maridos e por isso ensaiei tanto com bonecas e irmãos. Essa mulher quando se concretizou, eu estava pronta de braços abertos. Já sabia cozinhar, amar meu homem e trabalhar meu ofício. Adoro-a e vou levá-la para o túmulo com o prazer molhado e de temperatura altíssima que trago no entre pernas do coração. 

Depois tem a velha, Dona Elisa. Ah, essa eu sempre ensaiei. Ensaio até hoje exaustivamente. Olhava minha vó e já sabia desde novinha que eu não só um dia seria, mas desejava ardentemente: ser avó. Tive para isso no mínimo dois modelos opostos: uma animada, paterna, macumbeira e comemorativa, e outra rancorosa, materna, católica e dolorida. A que escolhi seguir é uma festa geradora de dinastias. 

Sempre soube imitar-lhes a voz. Adoro velhas arrumadas e vaidosas e gostosas. Sábias em tudo, essas velhas já eram eu desde sempre. De mãos dadas a essas três meninas de idades diferentes, embora atemporais, atravessei até aqui. Estamos indo bem. Rezei muito por isso. Ajoelhei pouco. Por isso esses joelhos amarrotados não se explicam com facilidade. Tenho quarenta anos e brinco de roda com essas senhoras mulheres. Colheres do que fui procurando e provocando. 

Olho-me no espelho com uma incrível satisfação. A etnia me reserva um cardume de não rugas à volta dos olhos, umas marcas de expressão provocadas pelos risos e choros contumazes. Nenhum arrependimento: o quadro é bom e olhar-me no espelho não é um estranhamento. é claro que sou eu. Vigiei-me dias a fio até aqui. Gosto do que vejo. Ocorre que o tempo é transparente, silencioso constante, sutil e competente. Espalhafatosamente age em resultados sem que o flagremos processo. A operação é minimalista e quem quiser assistir ao espetáculo de transformação sem se chocar tem que ser especialista em crepúsculo. é difícil flagrar exatamente o que seja crepúsculo. Sabe-se dele palavra, mas de fato quando se vê, já é noite. Eu tento. Brinco com eles: crepúsculo e tempo. Mas o que faz de mim feliz aos quarenta é que gosto das luzes que o percurso me dá. Gosto dos prêmios. Sei mais coisas, sou mais confortável com as regras do jogo e sua permuta inegociável: a juventude pela sabedoria. Quer? Quero. 

Agora dei pra isso. quarenta nos. Penso nisso. E parto como se fosse nascer amanhã mais equipada, mais aberta. De noite, no meio da poesia chamo a menina, a mulher e a velha para uma reunião. A festa é animada. Chama-se vida. As meninas adoram. 

*Elisa Lucinda é atriz e poeta